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Fast Fashion x Slow Fashion – Por Evelyn Bonorino

Publicado em: 01/07/2013

   

O que eu venho comentar aqui hoje é o fim da era de consumo FAST FASHION. Porque já está, mais do que na hora, de começarmos a desacelerar o consumo de moda sem muita durabilidade e designer "inspirado/colado" nas marcas referência de mercado.

É fato que o consumo rotulado de FAST FASHION serviu para alavancar a empregabilidade em países pobres, porém essas indústrias precisam urgentemente começar a se preparar para produzir, pelo menos, produtos com mais qualidade, a preços razoáveis para atender às novas expectativas do consumidor que não pretende mais compartilhar desse processo de compras descartável.





Sendo assim, o FAST será substituído pelo SLOW Fashion e essa mudança vai exigir um esforço maior das marcas e dos seus estilistas no acabamento, na criatividade, no argumento de venda, na apresentação etc. Enfim, cada detalhe que envolver o desenvolvimento do produto e a sua apresentação no ponto de venda vai ser observado e valorizado pelo consumidor, que estará avaliando cada vez mais se realmente precisa de mais uma blusa, quando estiver olhando para várias numa arara.

Posso garantir, caso você ainda esteja duvidando dessa mudança de comportamento, que um dos tópicos que vem estimulando essa atitude do consumidor é o fato de que ele começa a entender que a sazonalidade ou temporalidade das suas roupas pertence a um passado onde a moda era literalmente descartada a cada estação. Um consumidor liberto se sente mais autoral na construção dos seus looks e acaba por usar e consumir o que realmente o valoriza: a sua imagem e identidade.

Considero que o livro Vitimas da Moda do Guillaume Erner foi uns dos divisores de águas para os meus pensamentos sobre consumo de moda. O filosofo faz referência, em um capítulo, sobre a necessidade de se criar algo realmente novo para que a indústria da moda possa manter o seu ritmo e por fim sobreviver, cada estação.

Ele cita, no livro escrito em 2005, que o jeans estava com os dias contados, pois já havia chegado ao seu topo e precisava ser substituído, e ele aposta na alfaiataria.

Para mim o resultado dessa afirmação formou uma simples pergunta: Mais quantas calças jeans poderia ter no armário o mais apaixonado dos consumidores pela peça?

Quando comentei em sala de aula sobre essa citação do Guillaume Erner, naquela época após a leitura do livro, não preciso dizer que todos riram. Então, crédula da informação que o sociólogo acabara de afirmar pedi (exigi?) que os alunos comprassem o livro.

Recentemente, num fórum de moda na Unigranrio, por conta de uma pergunta de um participante, voltei a comentar sobre a importância de observar o ciclo da moda e citei o livro, e ainda pude constatar que todas as 8 palestrantes não usavam jeans!



Do primeiro comentário até o dia da palestra passaram-se 7 anos, e o que restou foi a certeza de que o comportamento do consumidor e suas necessidades de mudanças, ou uma simples conscientização de que estava agindo sem responsabilidade social podem gerar um novo ciclo da moda.

Consumindo menos roupas descartáveis estaremos diminuindo a poluição e o planeta vai agradecer. Penso que um consumo mais SLOW vai incentivar o consumidor no uso de uma peça de diversas formas diminuindo a visão de parecer com um manequim de vitrine.

A prova do processo do crescimento de uma moda mais autoral e bem aproveitada fica bem clara para mim quando vejo o sucesso dos blogs de street style que validam looks pela autenticidade e criatividade.

No começo do Fast Fashion, a bossa era comprar muito para se apresentar cada dia com um look. Hoje, a onda é usar uma mesma peça de várias maneiras! Oriento aqui, que profissionais da área de estilo devem apostar em produzir roupas com dupla funcionalidade ou com dupla forma de uso.

Um pouco do Guillaume Erner, no Vitimas da Moda? Como a criamos, por que a seguimos: “Uma vez conhecido o futuro das tendências, falta apenas influenciá-las. E, para tanto, nada equivale a alguns métodos: assim, o conjunto parece menos mágico, mas certamente mais eficiente.”



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