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MODA e CRISE – vamos encarar? – Por Evelyn Bonorino

Publicado em: 15/02/2016





O empresário do segmento moda vive um momento de incertezas e desconfianças – reflexo da crise política e econômica que o país enfrenta.
A alta dos impostos, o aumento dos juros, e a queda na taxa de investimentos, entre outros indicadores, compõem um cenário preocupante e cheio de desafios.
Entretanto, antes de sinalizar possíveis caminhos para encarar da melhor forma este cenário, é importante apresentar os 3 agentes que podem ter cooperado (e muito) para que algumas empresas de moda estejam sem direção nenhuma nessa crise.





Muitas marcas de moda, de pequeno, médio ou grande porte estavam nos últimos 5 anos vendendo muito produto parecido, para não dizer IDÊNTICO.
Essa oferta não se tratava de inconsciente criativo coletivo de um grupo de estilistas. Tratava-se sim, do CTRL + C ..... CTRL + V (copiou e colou)!

Short jeans com guipir na lateral de uma loja de departamento por R$ 79,90, e loja “fashion” por 289,00; ambos os produtos foram apresentados no mesmo momento em seus pontos de venda.



Não tem como justificar poeticamente, de inconsciente coletivo essa atitude, ou de que estilistas estão “bebendo” da mesma fonte. É CÓPIA E PRONTO!


Diante dessa pobre oferta de produtos diferenciados, vocês acham que, em médio prazo, não ia causar nenhum problema no consumo de moda?
Essa prática bateu de frente com o princípio básico da moda que é criar algo novo a cada estação. Entretanto, ressalto que criar algo novo não significa valorizar o descarte de produtos de coleções anteriores, pois a moda não funciona mais assim, desde 2000!
Na questão CRIAÇÃO, mudar a cartela de cores não é criar algo novo, exceto para peças rotuladas de sem estação ou atemporais para aquela marca.


Com tanta oferta, pq sempre todos escolhem as mesmas cores?

Quer aprender a “misturar” cores? Estude as coleções da Prada e MiuMiu, pois são pura inspiração!


Já estamos há bastante tempo, graças ao computador, armazenando dados, e o que eu percebo é que metade das informações coletadas não é utilizada.
O CONTROLE não deve ser usado só para saber o que vendeu, mas de como, quando e por que vendeu, esse e não aquele produto? Essa ou aquela cor?
O CONTROLE é um agente que diz respeito à gestão, e quando aplicado proporciona um cenário e, consequentemente, embasa a decisão.


No segmento moda é fácil encontrar gestores que atuam de forma excessivamente emocional praticando o EU ACHO a todo o momento.
Uma gestão equilibrada entre RAZÃO e EMOÇÃO se faz necessária para atingir a excelência desse tipo de negócio.


Então, por exemplo, a escolha de 3 cores para produzir um modelo é uma decisão emocional, e a decisão racional seria quantos seriam feitos de cada cor.

Esse agente é o que nos últimos anos vem agregando mais valor a qualquer tipo de produto, porque é através dele que, mesmo apresentando produtos semelhantes ao seu concorrente, você ainda consegue se diferenciar. CLARO, se a “mensagem” for bem preparada e direcionada.

Esse produto recebeu toda atenção da minha equipe na hora da produção, pois a marca estava apostando na lycra brilhosa para o verão 16.

Foto da campanha e foto feita com celular dos outros produtos com a mesma estampa. Com um pouco de cuidado uma marca pode produzir e comunicar seu produto, com um custo quase que zero.


Atualmente quem não se comunica com o seu consumidor por todos os veículos disponíveis no sistema de COMUNICAÇÃO, perde pelo menos 70% de chance de comercializar.
Essa COMUNICAÇÃO, além de criativa e envolvente, deve ser aplicada de forma convergente, isto é, em todas as mídias até o ponto de venda.

Essa campanha do nosso cliente foi aplicada no Facebook, Instagram, Blog, Cartaz A4 no interior da loja e Adesivo na Vitrine.



Sendo assim, antes de responsabilizar o outro pela sua crise verifique se você fez esse dever de casa.



É importante lembrar que ninguém deixa de consumir, em função de apertos financeiros.
O cliente na verdade substitui as marcas que compra normalmente por marcas com preços menores.
Então, que tal começar a oferecer produtos similares com preços mais baixos dos que normalmente você oferece na sua marca?

Regata com 15 cm de renda por R$ 59,90 e regata “preço combate” com 2 cm de renda por R$ 39,90. Uma marca que só vendia a primeira pode trazer a segunda para substituir ou dar opção, já que esta considera o produto fundamental na coleção.

Calça jeans com detalhes e uma opção mais barata e sem detalhes.


Procure os fornecedores e negocie a quantidade mínima de compra. Compre menos e mantenha o estoque enxuto.
Outra ação que apoia o PRODUTO COMBATE é ampliar o parcelamento e diminuir o valor da parcela mínima.
Um desdobramento dessa estratégia, que se encaixa muito bem, é apresentar promoções do tipo leve 3 e pague 2 ou descontos progressivos com o PRODUTO COMBATE.


LEMBRE-SE: Lucrar pela quantidade vendida nunca saiu de moda; matematicamente falando.

Muitas marcas sempre se preocupam em oferecer produtos específicos que se adaptam ao calendário. Elas formam KIT’s ou até elaboram algo temático a data para atrair o consumidor.
Uma marca de moda que não tenta se inserir no contexto social do seu cliente não consegue nesse momento vender nada. Aí, eu pergunto: você preparou uma “promoção” para o Carnaval; em Janeiro de 2015?



Essa marca aproveitou produtos da coleção de verão e sugeriu a estilização deles para as suas clientes.

Muitos afirmam que são nos momentos de crise que aparecem as melhores oportunidades. ENQUANTO UNS CHORAM, OUTROS VENDEM LENÇOS! Só vai sobreviver e superar a essa crise aquela empresa que não medir esforços para se reavaliar e consequentemente se adaptar.


Uma boa forma de ampliar a divulgação da sua marca e consequentemente as vendas é formar PARCERIAS COORDENADAS.
PARCERIAS COORDENADAS são capazes de “ampliar” de certa forma os seus pontos de venda sem custo adicional.
Algumas marcas de moda estão se unindo ao varejo de beleza, o que faz todo o sentido.
Você pode expor fisicamente ou por imagem o seu produto no ponto de venda daquela empresa parceira de beleza e vice-versa, ou promover um serviço especificamente para os clientes da empresa parceira.


Se você comprar o serviço de pé e mão aqui, você ganha R$10,00 de crédito na loja X e vice e versa!


Não é só por conta da crise que o consumidor mudou, ou melhor, se tornou exigente.
Já há algum tempo, venho insistindo que o atendimento seja baseado no relacionamento, pois este tem a capacidade de emoldurar qualquer marca e produto.

O vendedor deve ser orientado para que se envolva com o cliente na hora do atendimento para que as ações de telemarketing, sms e whatsapp sejam eficientes e efetivas. Construa um histórico de consumo do seu cliente para que seu diálogo tenha uma base real. Armazene essas informações para usar num próximo contato.

Um cliente deve ficar assim quando receber uma mensagem da sua marca!

As marcas, além da loja física e da virtual, podem apostar na opção de loja itinerante. Levar o seu produto à casa de um consumidor da marca pode aumentar as vendas. Entretanto, essa ação vai depender de como o cliente foi atendido no seu ponto de venda. O atendimento itinerante deve ser conquistado, pois requer um pré-relacionamento entre marca e consumidor.
Existe outra opção relacionada ao atendimento itinerante, que são os eventos, feiras e circuitos de moda. Esta ação nossa empresa criou e foi praticada por um dos nossos clientes, que acabou por conquistar novos consumidores para a loja física também.

Logo criada para identificar o projeto de atendimento itinerante e cliente no evento escolhendo o produto.



Muitos afirmam que são nos momentos de crise que aparecem as melhores oportunidades.
Só vai sobreviver e superar a essa crise aquela empresa que não medir esforços para se REAVALIAR e consequentemente se ADAPTAR!



Quer saber mais sobre como administrar o seu negócio?

Entre em contato pelo e-mail: contato@evelynb.com.br

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