Direções

A MODA e o MUITO DO MESMO - Por que estamos comprando menos? – Por Evelyn Bonorino

Publicado em: 25/10/2016

ATENÇÃO: Peço que deixe de lado por “um segundo” as questões da crise econômica que estamos vivendo no Brasil; só por “um segundo”.
Eu li essa expressão MUITO DO MESMO pela primeira vez quando um amigo fashionista facebookiano (esqueci quem foi, desculpa) escreveu assim: ..... A marca top XYZ lançou a coleção de outuno/inverno 16, e quer saber? MUITO DO MESMO...



O QUE SIGNIFICA MUITO DO MESMO?
MUITO DO MESMO é uma gíria? Um rótulo? Um sentimento?
MUITO DO MESMO é uma reclamação educada do consumidor que vem usando essa expressão quando procura uma blusa, por exemplo, para comprar e não encontra nada que o encante e o motive, já que sua busca era por algo “novo”.
A prática de oferecer o MUITO DO MESMO reflete drasticamente no processo de compra do produto de moda. Baixo consumo e, consequentemente, estoques altos deixam consumidores “carentes” e por fim, insatisfeitos com a própria imagem pessoal, mesmo quando estão dispostos a se expressar através do vestuário de forma diferenciada.
A moda do século XXI que, apesar de estar totalmente permeada pela democracia no modo de se vestir, ainda deve manter sua essência na criatividade e na busca pelo novo que, se for realmente aplicado no desenvolvimento de produtos, o MUITO DO MESMO nunca existirá.
Explorar a criatividade no desenvolvimento de produtos não significa necessariamente ficar tão fora de uma proposta global de “tendência”. Significa saber que marinho, caramelo, terracota e vinho serão as cores do inverno 16, e que essa informação todo mundo terá. E que você precisa “pincelar” a sua coleção com outras cores, para “carimbar” a sua assinatura e harmonizar com a temática da sua coleção.



Nesse momento você já está se sentindo representado e se identificando com o discurso acima, e começa a se perguntar como chegamos a essa situação e por quê?
Acredito que o MODELO DE NEGÓCIO DE MODA praticado de 2000 até 2010 cometeu um grande desgaste em todos e sentidos (social, comportamental, ambiental, etc.) deixando cegos grande parte dos empresários.
Em 2010, o modelo praticado já estava ultrapassado e agora, em 2016, ele está literalmente atrasado!
O que o consumidor precisa consumir hoje, já deveria ter sido percebido pelos empresários há uns 8 anos, quando a China passou a ser a sede da “XEROX” do mundo.
A moda “xerocopiada” até que durou bastante, mas foi por conta desse excesso de durabilidade, que elevou o nível de exigência do consumidor rapidamente.
O modelo de negócio de moda atual, aplicado pela maioria das empresas é ultrapassado, pelo simples fato da sua falta de “sensibilidade e percepção” do que vem acontecendo no mundo.
Questões sócio-comportamentais, sempre determinaram o que “deveríamos” vestir. Acho que muitos se esqueceram desse detalhe do processo de desenvolvimento.
Por conta desse atraso em perceber que precisava mudar, é que muitas empresas estão pagando um preço muito alto. E terão que correr muito para recuperar o prejuízo.
Quais são as mudanças que JÁ estão acontecendo ou deveriam estar na comercialização e consumo de moda?

• CONSCIENTIZAÇÃO; - exibição do histórico da produção.
• CIRCULAÇÃO; - maior tempo de vida dos produtos (reutilização, customização, aluguel, trocas e desapegos).
• COLETIVIDADE e COMPARTILHAMENTO; - experiências e espaços.

Nesse exato momento você acha que essas mudanças só se aplicam para os que estão começando, e eu aviso que o mais importante nesse exato momento é não se limitar, mas sim decodificar toda essa informação, rapidamente filtrar o melhor e adaptável e finalmente moldar para a sua marca.
Para o segmento moda, essas novas práticas de negócio traz oportunidades para a oferta de novos produtos e serviços e, consequentemente, um reposicionamento das marcas.
Acredito que reposicionar uma marca com 20 anos de mercado não é uma tarefa simples, mas fica a dica ACEITA QUE DÓI MENOS. Faça uma avaliação de como sua marca vem se apresentando. Existe uma crise econômica de verdade acontecendo no Brasil, mas será que a crise de criatividade não vem atuando como coadjuvante desse “fashion film”? E a falta de relacionamento com o cliente? E todo sistema de comunicação sempre deixado sem verba, em função do departamento de estilo que precisa viajar o mundo para criar coleções do tipo ctrl c ctrl v? #prontofalei

O que o consumidor deseja das empresas de moda além da conscientização, circulação e coletividade/compartilhamento é UM POUCO DE TUDO, para poder criar o seu estilo próprio.
O tênis branco, por exemplo, que voltou com força total, e que todo mundo (?) vai comprar, precisa ser oferecido em outras cores também, e o seu uso deve ser estimulado de diferentes formas. Que tal assim?







Entre em contato pelo e-mail: contato@evelynb.com.br

Comente esta publicação:

Nome:
Mensagem: