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UM NOVO OLHAR PARA O FAST & SLOW FASHION – Por Evelyn Bonorino

Publicado em: 15/07/2015

   

Às vezes é preciso parar e repensar, ou simplesmente dar um tempo mesmo! E foi assim que eu fiz.... Dei um tempo de escrever (e falar também) em 2014, pois achei que estava batendo na mesma tecla há uns dois anos. Por conta da Copa do Mundo no Brasil e da eleição para presidente eu sabia que teríamos um dramático ano para o varejo de moda e foi assim mesmo, sem tirar nem pôr. Mas você deve estar se perguntando...se foi avisado, se foi previsto, por que não foi tomada uma atitude? Certas iniciativas exigem “forças uterinas” dos gestores, além de desapego, reeducação, e acima de tudo desejo de mudar e de fazer algo novo propriamente dito, consciente e sem medo.

Questões político-econômicas devastaram a pouca solidez em que vivíamos no Brasil desde 2012, e as incertezas tomaram conta do pensamento de uma sociedade inteira. Então, agora que o caos se instalou, é chegada a hora de refletir sobre todo o processo! Antes tarde do que nunca, né?
Eu me lembro muito bem do dia em que falei pela primeira vez numa palestra sobre o SLOW FASHION como a “salvação da lavoura”, e olha que o FAST FASHION nem tinha chegado ao seu ápice. Acredito muito nos ciclos da moda e quando um começa, eu entendo simplesmente que ele, depois de um tempo, vá se fechar ou diminuir sua intensidade.

A produção desenfreadada modelo fast fashion sempre esteve rotulado de idealização de produtos sem criação nenhuma. Cópia da cópia da cópia.

Esse efeito multiplicador do mesmo produto/modelo já nasceu com seus dias de vida contados (tudo tem seus dias contados, pois a eternidade pertence a poucos). Era impossível que num mundo, em que se estabeleceu a democracia da moda, e com conectados consumidores que, alimentados pela necessidade de se diferenciar, não se incomodassem em ter a sua peça escolhida, e ou exposta em cada “esquina” ou site de compras.

O que parece ter caído no esquecimento da indústria ou até mesmo dos menores fabricantes é que o principal conceito da moda é o CULTO AO NOVO, e agora mais do que nunca “diferente dos outros!”.

O FAST FASHION é considerado o CULTO AO DESCARTÁVEL, o slow fashion eu diria que deve ser o CULTO À INOVAÇÃO, em todos os sentidos que uma criação de moda se possa usufruir...

Para iniciar esse novo ciclo que se faz necessário para atender a novas expectativas dos consumidores do varejo de moda, é preciso enumerar todas as direções que um produto de moda pode agregar para formatar um novo ciclo de consumo, e nesse caso vamos pensar em como praticar o “slow fashion”.

Ruptura do PENSAMENTO
O FAST FASHION não vai deixar de existir. Ele só está perdendo a sua força. O SLOW FASHION surge para preencher a lacuna de “exclusivo” na mente do consumidor, cansado de se vestir igual.


EXEMPLO de um momento...
Guillaume Erner escreveu no seu livro Vítimas da Moda, que o jeans estava com os seus dias contados (e eu “louca” comentei isso em sala de aula. Imaginem os olhares!!!). O que ele falava era que o varejo precisa se renovar, pois o jeans já estava no seu topo e já o chamavam de premium. Diante disso o que seria ou deveria ser oferecido de novo para o consumidor? TECIDO PLANO! E foi ai que a China se apresentou para o mundo da moda, depois dos produtos de R$ 1,99.

Sempre que estou tentando construir um conceito sobre algo busco o caminho mais simples, pois essa é minha obsessão, ou melhor, desafio pessoal; fazer-se entender em 3 linhas no máximo.
Para as empresas de grande, médio ou pequeno porte, que pretendem iniciar A PRÁTICA DO SLOW FASHION, EU SUGIRO QUE SE DEDIQUEM a ter nos seus produtos:
1. CRIATIVIDADE – coordene a coleção de modo que pelo menos 3 produtos de uma família “recebam” elementos que remetam ao tema.

2. VARIAÇÃO DE CORES – aceite o fato de que vários modelos atualmente transitam por mais de 3 estações, e que as cores acompanham, então retome o hábito de desenvolver entre 3 a 4 variações de cores do mesmo modelo.

Olha a nova proposta da ADIDAS
3. FUNCIONALIDADE – aposte que seu consumidor adoraria usar um produto que se transforme, e que tenha funções além fortalecer o seu estilo.

Uma peça e várias formas de usar
4. HISTORICO DO PRODUTO – revele em forma de tag’s ou artifícios do visual merchandising como a marca “funciona” nos bastidores, e no que ela acredita ou defende.



Entre em contato pelo e-mail: contato@evelynb.com.br

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