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Sem Logomarca, sem Idade e sem Estação – Por Evelyn Bonorino

Publicado em: 15/05/2012

   



São os desejos inconscientes dos consumidores que a indústria tem que interpretar para desenvolver produtos. Entretanto, por um lapso de segundos tal desejo é visto já em fase consciente e é aí que todos têm que correr para produzir o que o consumidor está usando de forma improvisada. Simplificando o surgimento dos modismos, podemos dizer que eles nascem pelo processo de ebulição (ruas) ou de gotejamento (alta costura), sendo que, desde o início deste século o movimento de ebulição é o que vem sendo realmente observado por todos que pretendem desenvolver produtos de qualquer segmento, não só o que colocamos aqui em questão, o varejo de moda.
Revelo aqui três movimentos, que estão em diferentes fases de conscientização do consumidor, mas se decodificados ampliam a comunicação com ele e, automaticamente, o seu envolvimento com a marca: SEM LOGOMARCA, SEM IDADE E SEM ESTAÇÃO.

SEM LOGOMARCA

Foi um amigo que, em 2002 me chamou a atenção para uma atitude que ele estava observando entre os jovens de uma escola de intercâmbio, em San Francisco, Califórnia. Fui visitá-lo e vi com os meus próprios olhos que, no lugar tradicional das etiquetas, só se via a marca da costura que passou por ali. Fiquei intrigada e pensativa, pois no varejo de moda surgia a febre das logomarcas supervisíveis naquele exato momento, sendo o maior símbolo as bolsas da Louis Vuitton “grafitadas” por Stephen Sprouse. O que eles estavam avisando?

Já se passaram sete anos e posso afirmar que esse movimento não evoluiu tão rapidamente como outros que já vi surgir. Ele se manifesta silenciosamente entre diferentes consumidores. Podemos identificar que existem os que só compram o produto se ele não tiver nenhuma logomarca aparente, os que consumem produtos com e sem logomarca visível e os que não abrem mão de ter esse símbolo em suas peças.

Qual o diagnóstico que repasso para que cada vez mais a indústria possa a atender esse consumidor? Preparem-se para atender cada vez mais aos que rejeitam as logos, pois a necessidade de ser único, ou melhor, ter um look único, já está na fase da puberdade e verbalizada por muitos. Pense que essa situação fará com que o consumidor tenha uma harmonia muito maior da sua imagem com o seu conteúdo. Nesse exato momento alguém já gritou: Como eu vou divulgar a minha marca? Existem diversas formas, mas a primeira atitude a ser tomada é a de construir uma identidade detalhada.

SEM IDADE

Com certeza esse é o movimento que mais rápido evoluiu e se manifestou. Alimentado primeiramente pelos segmentos saúde, bem-estar, estética e beleza, vem buscar no vestuário um aliado para complementar a manifestação.
O que está acontecendo? O consumidor se vê com o direito de administrar o seu envelhecimento com as infinitas ofertas de melhorias. Ele se conscientizou rapidamente de que não está condenado a seguir o mesmo processo dos seus antepassados.
Já que a moda foi convidada a participar, como ela pode interagir com esse movimento? Apostamos que a primeira atitude da indústria do vestuário seja a de eliminar pelo menos 70% de preconceitos e rótulos embutidos e passe a ter uma visão mais voltada para o comportamento. Ex: Determinada marca desenvolve produtos para um público de 18 a 24 anos que não abre mão de focar o seu lazer em atividades ao ar livre. Tal atitude tem a ver com o espírito, o prazer e a própria filosofia de vida daquela pessoa e não simplesmente só a idade dela. Hoje o que vai determinar o consumo do seu produto por ele tem mais a ver com uma simples numeração e não ao código ultrapassado de vestir. Na semana passada, a grife inglesa Aquascutum colocou modelos maduras na passarela, como a top dos anos 80 Yasmin Le Bon, mostrando que as passarelas não são exclusivas das jovens abaixo dos 20 anos.

SEM ESTAÇÃO

Esse movimento será um grande desafio para a moda, que sempre viveu da ruptura total do “velho” a favor de um novo que chegava a cada estação. O que vai determinar a compreensão desse movimento e a aplicação em desenvolvimento de produtos envolve:

Meteorologia – reconhecimento das alterações vividas pelo planeta com relação ao clima.

Globalização – um mundo sem fronteiras graças às informações vindas da internet estimula todos a conhecer novas culturas e lugares.

Criação – ampliação do ciclo de uso de um determinado produto, isto é, sugerir que alguns elementos oferecidos no inverno possam ser utilizados na primavera, afinal atualmente muitas marcas vendem uma coleção no mundo inteiro, simultaneamente.

Vale a pena ressaltar que, ao executar essas sugestões, em momento algum o culto ao novo não se encaixa. Acredite que ele é a essência da moda. O sentimento que surge e agrega é o de respeito ao consumo feito pelo consumidor e o estimulo feito a sua autenticidade, pois sua tendência natural é criar looks personalizados. A soma ou análise individual desses movimentos vão oferecer um único resultado para a marca e seu consumidor; o de que ambos estão se relacionando e evoluindo juntos no processo de democratização da moda.

Entre em contato pelo e-mail: contato@evelynb.com.br

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